Antes do Amanhecer

Nasceu Aurora, filha dos meus amigos João Bernardo e Lívia. Escrevi este poema pra ela. 

Antes do amanhecer

Te escrevo, ó menina,
antes do teu primeiro choro,
anterior ao teu primeiro pensamento,
sem conhecer o teu rosto,
imagino-te apenas,
nova habitante do novo mundo,
nova gente do tempo novo.
Preparamos teu ninho,
minha aurora,
preparamos a porta do palácio – mundo,
varrendo as guerras,
lavando as mágoas,
desmanchando as manchas tristes do chão onde pisarás,
ó preciosa dama!
Escrevo por teu nome, Aurora,
este manto dourado que cobrirá
tua identidade.
Escrevo sem conhecer ainda o teu rosto, antes do teu primeiro choro,
antes de tua primeira idade,
escrevo para que a cidade te aguarde com as honras de quem é filha da poesia, da música e dos amantes da liberdade .
Recebe estas palavras,
ó princesa da melhor novidade,
são versos escritos na madrugada
antes de o galo cantar,
antes de romper a manhã,
são Versos de agora,
saídos do meu coração,
antes do nascer da Aurora.

Elisa Lucinda

Por que a gente é assim?

Elisa Lucinda e Geovana Pires comandam mais uma vez o recital da Casa Poema, “Por que que a gente é assim?”, em homenagem ao Cazuza e em comemoração ao dia do Rock. Desta vez a Poesia da Canção será apresentada na Barra, na bela parceria com a Livraria Saraiva e contando com a participação de todos os alunos da Casa. Estão todos exageradamente convidados!RECITAL_CAZUZA_1507

Dia das Mães

Concurso: Minha mãe é pura poesia.

Presenteie sua mãe com produtos Alfaias e concorra a uma oficina de poesia na Casa Poema. Declare todo o seu amor, completando a frase:

“Minha mãe é pura poesia, pois…”

Promoção válida no período de 02/05 a 11/05, somente na loja Alfaias Casa, no Botafogo Praia Shopping

Não perca!

Lançamento do livro “Fernando Pessoa, O Cavaleiro de Nada” de Elisa Lucinda.

Um biografia romanceada escrita em primeira pessoa.

Dia 29/04/2014 às 19 horas

Livraria da Travessa – Shopping Leblon – RJ

Rio melhor

A literatura tem poder. Estou convicta disso. Todo mundo tem um livro que mudou sua vida. (Sei que quando falo todo mundo não estou incluindo os excluídos. Afinal, muitas vezes por isso mesmo pela falta de acesso à uma estória, a um livro, é que estes são excluídos). Um escrito contado pelos pais, pelo professor, pelo ator, pelo tio, pelo amante, pelo amigo, pode redirecionar a vida da gente. E a poesia, apesar de ser, como gênero, o patinho feio dos rigores editorias, está no topo, no ranking dos que promovem e produzem saúde, bem estar e verdadeiras terapias na alma leitora. Ou alma escutadora mesmo. Uma vez fui jantar com o meu querido Miguel Falabella que estava com o coração miúdo e entristecido pela morte do Pai. Falei pra ele um poema de Adélia Prado, lindo, que se chama Leitura e que termina assim: “Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca nada está morto. O que não parece vivo, aduba. O que parece estático, espera.” Miguel ficou bom na hora. Muitas vezes nesta minha vida, labutando e curtindo no cavalo da poesia, já pude ver seus efeitos em muitos corações, nas linhas de muitas vidas. É chocante e não é raro de acontecer. Eu que já fui salva por tantos poemas dos outros, vejo os meus perdurando a ciranda. Ontem, por telefone, li para um amigo, que por sinal se chama Evandro Rios, (meu Deus só agora percebo isso), um poema novinho chamado Rio melhor. Ele me disse que foi como um bálsamo, as palavras certas para as demandas emocionais de seu dia. Disse que depois do que ouvira estava respirando melhor; que foi comigo ao rio. Eu não sabia de nada como é um poema inédito e da turma dos caçulas, li despretensiosamente, sem saber, só como um agrado de amiga. Como funcionou com ele e em outros que testei depois, e não tem contra indicação, publico-o aqui almejando banhar também sua emoção:

“Ninguém na calma tarde do rio. Banho-me, disputando com os dourados cardumes de peixinhos miúdos um lugar nas águas doces. Ita-una  significa pedra preta  e tudo resulta nesta cor mate- bronze -cobre- ouro do menino rio onde brinco e com quem brinco de ir subindo êle, dando braçadas contra a  sua correnteza, e  de voltar deslizante, boiando na carona da mesma.Ninguém me vê. Poderia fazer o que eu quisesse: tirar o biquíni, nadar nua e cantar alto, bem alto, mas não  o faço. Fico só com a  terceira  vontade, com a melodia  que sai do meu peito, pérola da ostra, e alcança as margens, ,as arvores,  os caminhos de ar onde o som se espalha. Estou no hospital da natureza, em seu pátio de recuperação.Estou tomando remédio controlado pela  beleza,  para recompor a pele que  a cidade esfolou.O dotô também receitou, preu melhorar, relógio de sol,  temporal,  passarinho ,nada de andar sobre quatro rodas, bicicleta, dunas , mergulho no mar, verso , criança pra conversar. Obedeço.Sigo à risca. Quem rabisca de raios luminosos a serena paisagem é o sol.Sei que no crepúsculo haverá o alvoroço da passarada e das gentes  por conta  da apresentação da lua do ultimo dia de março.

Ela, cheia , desponta lá pras banda do Tamandaré enquanto o  mesmo sol  se  despede do lado de cá no beiral do mangue e passa o turno pra ela.Vai ser lá no teatro do céu.

Eu vou ver também. Me sinto dona de tudo aqui, milionária destes matos, destas margens , deste quintal rico e plebeu Nado calma no silencio desta tarde que me guarda  inteira, meu deus. O rio Itaúnas é meu. Ouço alguém gritando, uma voz que vem da estrada de terra, lá de cima, “a chuva e vem lá de Braço do Rio.” Dentro de todo o corpo do rio escuto a notícia, fruto da meteorologia simples que uma pequena vila dispõe.  Meu tratamento compõe caminhadas de cócoras contra a correnteza e inclui o movimento lento e firme dos braços para frente, empurrando a discreta força de uma água sem tempero de sal. Não estou mais mal. Antes que o céu escureça me aponte a primeira estrela, sereia, apronto meu arpejo, dou uma rabanada, uma guinada, uma manobra eu faço,  para voltar a atravessar a ponte. A velha ponte, meu pai!  Estou melhor. Não sou a ultima, mas rio melhor. Boa enfermeira de mim, e muito sagaz, a tarde se debruça sobre meu leito de rio, e eu não choro mais.”

Oficina de Poesia Falada em Janeiro

Olá amigos da Casa Poema,

para começar o ano conectados com a poesia, nós da Casa Poema organizamos a próxima Oficina de Poesia Falada.

A Oficina acontecerá do dia 27 a 30 de janeiro (segunda a quinta-feira), das 20h às 22h no Solar das Palmeiras (Rua das Palmeiras, 35 – Botafogo/RJ).

A proposta da Casa Poema é trabalhar a poesia falada de maneira coloquial como uma conversa de amigos, aproximando naturalmente o público do fazer poético. Nas aulas são utilizadas obras de poetas consagrados da língua portuguesa. Ao final do curso, os alunos apresentarão um recital aberto ao público.

O valor é de R$250,00, sendo que professores e estudantes têm 20% de desconto. O primeiro dia é gratuito e estão todos convidados a vir tomar um café conosco e conhecer mais do nosso trabalho.

Para realizar sua inscrição entre em contato conosco:

e-mail: escola@casapoema.com.br

tel.: (21) 2286-5976 / 2286-5977

Oficina de poesia falada - janeiro 2014